segunda-feira, 18 de abril de 2016

Golpe (sujo)



Olhe para o que acontece a sua volta. 
Consegue enxergar alguma coisa? 
Tudo está bom. 
Não existe crise (dizem uns) 
É só olhar os supermercados e bares abarrotados de gente... 
E os hospitais e os ganha - tempo, 
Também não estão abarrotados? 
Lava-jato e merenda escolar onde estão? 
Por outro lado (tudo é crise) 
E o que foi conquistado? 
Olhe bem para o Cristo Redentor. 
O que consegue ver? 
Não passa de um Colosso de Rhodes. 
Exagero? 
Olhe para o Maracanã, Mineirão ou Morumbi. 
O que vês? 
Réplicas do Coliseu Romano. 
Pão e circo? 
Tire suas próprias conclusões. 
Olhe, então, para Brasília 
E veja uma polis grega. 
Então olhe para o espelho. 
O que consegue ver? 
Narciso. 
Mas, então, olhamos nossos jovens. 
Revolucionários? 
Não. Reacionários. 
Continue olhando... 
Olhe o operário. 
O que você vê? 
Escravo. 
O sem terra, teta. 
O latifundiário. Um senhor feudal. 
Um religioso. Um dogmático. 
Ah! Chega. 
Devo fechar meus olhos. 
Só vejo barbaridades. 
Olho o presente e vejo o passado 
O futuro. 
O que será? 
Isso tudo não passa de um golpe (sujo). 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense.

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